
Conheci a garota perdida. Tão perdida que não se achava no tempo dela, na cidade dela, nela mesma. Era linda. Repleta daquela melancolia que esparge a vida de beleza, a personificação da tragédia. Fiquei bobo. Droga, preciso de um cigarro! Moça, quer um cigarro? Cheguei a pensar que ela advinha dos anos de ouro, Hollywood. Aflita. Ela me olhou com seus olhos tristíssimos “não consigo dormir, mas queria sonhar com esse homem. Que fim!” Eu a entendo. Acometida por uma solidão arrebatadora. É tanta solidão que dormir se torna impossível. Descansar a cabeça no travesseiro e olhar para o teto escuro; como descansar quando as condições são totalmente propícias para a manifestação de demônios internos? Ela cantarolou uma cançãozinha “A time it was and what a time it was/ It was a time of innocence, a time of confidences/ Long ago it must be, I have a photograph/ Preserve your memories, they’re all that’s left you”. Eu perguntei de quem era. Ela disse “Simon & Garfunkel”. Ela afundou nos meus olhos e eu mergulhei nela. O sorvete acabou rápido, ela fugiu rápido. Precisava ir para casa, precisava deitar, não precisava de mim. Que fim!

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